Aço SAE 1045: composição química, propriedades e aplicações

24 de Fevereiro de 2026

 

Aço SAE 1045: composição química, propriedades e aplicações

O aço SAE 1045 é provavelmente o mais especificado da indústria metalmecânica brasileira. Está em eixos de máquinas, pinos, engrenagens, hastes de amortecedor, cubos de roda, árvores de manivela — e em dezenas de outros componentes que fazem a indústria girar.

Mas saber o nome não é suficiente. Especificadores e compradores que dominam a composição química, os limites de aplicação e os tratamentos térmicos corretos do SAE 1045 tomam decisões melhores e evitam o custo de usar o material errado no projeto.

Este artigo cobre tudo que você precisa saber: do código SAE à composição química; das propriedades mecânicas por condição de fornecimento às aplicações industriais e dos tratamentos térmicos recomendados à comparação com os aços vizinhos.

 

O que é o aço SAE 1045?

O SAE 1045 é um aço carbono de médio teor de carbono, pertencente à família 10XX da classificação SAE/AISI. Isso significa que sua composição é baseada essencialmente em ferro, carbono e manganês, sem adição significativa de elementos de liga como cromo, molibdênio e níquel.

O número “1045” informa diretamente: “10” = família dos aços carbono comuns; “45” = teor de carbono de aproximadamente 0,45%. Essa lógica é a base do sistema SAE e entendê-la vale para qualquer aço da tabela.

Com 0,45% de carbono, o SAE 1045 ocupa a faixa de médio carbono, mais resistente que os aços de baixo carbono (como o 1020), mas sem a fragilidade dos aços de alto carbono. Essa posição no espectro é o que explica seu custo-benefício excepcional.

O SAE 1045 é chamado de ‘aço de uso geral’ porque equilibra resistência mecânica, usinabilidade e custo melhor do que qualquer outro aço carbono da família 10XX.

 

Composição química do SAE 1045

A tabela abaixo apresenta a composição química do SAE 1045 conforme a norma SAE J1397 — o mesmo padrão utilizado pela São Joaquim Laminação na especificação do material (referência interna: VT 45).

Elemento

C

Mn

Si

P (máx.)

S (máx.)

Teor (%)

0,43–0,50

0,60–0,90

0,15–0,35

0,040

0,030

▲ Referência: SAE J1397 / ABNT NBR 6158. Norma equivalente internacional: DIN C45.

 

O papel de cada elemento

Carbono (C): é o principal responsável pela resistência mecânica e dureza após tratamento térmico. Com 0,43–0,50%, o SAE 1045 tem resistência suficiente para aplicações exigentes, sem a fragilidade dos aços de alto carbono.

Manganês (Mn): melhora a resistência e a dureza, desoxida o aço e aumenta ligeiramente a temperabilidade. Sem manganês, a têmpera seria menos eficiente.

Silício (Si): atua principalmente como desoxidante durante a fabricação, contribuindo para a limpeza do aço.

Fósforo e Enxofre (P e S): elementos residuais controlados como impurezas. O fósforo em excesso fragiliza o aço; o enxofre em excesso prejudica a soldabilidade.

 

 

Propriedades mecânicas por condição de fornecimento

As propriedades do SAE 1045 variam conforme o estado de fornecimento e o tratamento térmico aplicado. A tabela abaixo resume os valores típicos:

Condição

Res. Tração (MPa)

Limite Escoamento (MPa)

Dureza (HB)

Laminado a quente

570–700

~310

163–201

Normalizado

~620

~415

~179

Temperado + Revenido

750–950

~580

220–280

▲ Valores típicos. Consulte sempre o laudo de ensaio do lote específico.

Dureza de fornecimento padrão SJL: 163 HB máximo na condição laminada. Para aplicações que exigem valores superiores, o tratamento térmico é necessário.

 

Temperabilidade: o ponto de atenção

A principal limitação do SAE 1045 é sua baixa temperabilidade. Em peças com seção transversal superior a 60 mm, o endurecimento por têmpera não penetra de forma uniforme. A superfície endurece, mas o núcleo permanece relativamente mole.

Para aplicações que exigem dureza uniforme em seções grandes, os aços ligados, como o SAE 4140 (Cr-Mo) ou o SAE 4340 (Ni-Cr-Mo) são mais adequados. Usar SAE 1045 nesses casos é desperdiçar o tratamento térmico e arriscar falha mecânica.

 

 

Tratamentos térmicos do SAE 1045

O SAE 1045 responde bem a vários tratamentos térmicos, desde que respeitadas as temperaturas e os meios de resfriamento corretos. A tabela abaixo é o guia de referência:

Tratamento

Temperatura

Meio de resfriamento

Resultado

Recozimento

790–870°C

Forno (lento)

Alívio de tensões, melhora usinabilidade

Normalização

870–920°C

Ar calmo

Microestrutura uniforme, usinabilidade otimizada

Têmpera

800–845°C

Água, polímero ou óleo (seções ≤10mm)

Alta dureza superficial (até 50–55 HRC)

Revenimento

400–680°C

Ar

Reduz fragilidade, ajusta tenacidade

Têmpera por indução

Localizada

Água

Dureza superficial sem alterar núcleo

* Para seções acima de 10 mm, recomenda-se água ou polímero. Para seções até 10 mm, óleo é suficiente.

 

Têmpera por indução: a vantagem do SAE 1045

Uma das aplicações mais inteligentes do SAE 1045 é a têmpera por indução — processo que aquece e endurece apenas a superfície da peça, preservando o núcleo tenaz. Isso é ideal para eixos que precisam de resistência ao desgaste na superfície, mas de flexibilidade no núcleo.

A São Joaquim Laminação oferece têmpera por indução como serviço, o que significa que você pode adquirir a barra de SAE 1045 e já receber a peça com tratamento aplicado.

 

 

Aplicações do SAE 1045 na indústria

O SAE 1045 está presente em praticamente todos os segmentos da indústria metalmecânica. Veja as principais aplicações por setor:

 

Indústria agrícola e de máquinas

  • Eixos para moendas de cana
  • Sapatas e porcas de trator
  • Eixos de implementos agrícolas
  • Componentes de máquinas e equipamentos

 

Indústria automotiva e rodoviária

  • Eixos de transmissão
  • Hastes de amortecedor
  • Cubos de roda
  • Árvores de manivela (aplicações de médio porte)

 

Geração de energia e indústria pesada

  • Eixos para geração de energia
  • Propulsores de navios
  • Eixos para britadores
  • Tirantes para prensas

 

Uso geral industrial

  • Pinos, parafusos e correntes
  • Engrenagens de baixa e média solicitação
  • Balancins e buchas
  • Componentes de manutenção industrial em geral

 

Regra prática:
O SAE 1045 é a escolha certa se a peça trabalha com carga moderada, não sofre impacto cíclico intenso e tem seção abaixo de 60 mm.
Possui boa resistência, boa usinabilidade e custo controlado.

 

 

SAE 1045 vs. aços próximos: quando trocar?

Saber quando o SAE 1045 é suficiente e quando é necessário subir para um aço ligado é uma competência crítica para especificadores e compradores.
O comparativo abaixo coloca o 1045 em contexto:

Critério

SAE 1020

SAE 1045

SAE 4140

SAE 4340

Teor de C (%)

0,17–0,23

0,43–0,50

0,38–0,43

0,38–0,43

Resistência mecânica

Baixa

Média

Alta

Muito alta

Temperabilidade

Muito baixa

Baixa

Excelente

Excelente

Usinabilidade

Ótima

Boa

Boa (recozido)

Boa (recozido)

Soldabilidade

Ótima

Moderada*

Baixa

Baixa

Custo relativo

Muito baixo

Baixo

Médio/Alto

Alto

Uso típico

Estrutural, peças leves

Eixos, pinos, engrenagens

Peças críticas, grandes seções

Alta carga, ambiente severo

* Soldabilidade do 1045 exige pré-aquecimento (150–250°C) para evitar trincas de hidrogênio.

 

Quando subir para o SAE 4140?

Se a peça tem seção acima de 60 mm e precisa de dureza uniforme no núcleo.

Se a aplicação é crítica — falha com risco de segurança ou parada de produção.

Se o ambiente é severo: mineração, óleo & gás, altas temperaturas.

O 1045 é mais barato. O 4140 é mais seguro em situações de limite. A escolha é de engenharia, não de orçamento.

 

Perguntas frequentes sobre o SAE 1045

 

Qual a diferença entre SAE 1045 e ABNT 1045?

Nenhuma diferença prática. A ABNT adota a mesma numeração do sistema SAE/AISI para aços estruturais. Um SAE 1045 e um ABNT 1045 têm composição química e propriedades equivalentes. Para projetos com requisitos normativos específicos, confirme qual norma está sendo exigida no caderno de especificações.

 

O SAE 1045 pode ser soldado?

Sim, mas com cuidados. O teor médio de carbono exige pré-aquecimento entre 150°C e 250°C para evitar trincas de hidrogênio na zona termicamente afetada. Para aplicações críticas que envolvem solda, considere especificar o procedimento de soldagem (PQR/WPS) adequado.

 

Qual a dureza máxima que o SAE 1045 atinge?

Na condição laminada, a dureza de fornecimento é de até 163 HB. Após têmpera e revenimento, o SAE 1045 pode atingir entre 45 e 55 HRC na superfície, dependendo da espessura da peça e do meio de têmpera. O núcleo permanece com menor dureza em peças de maior seção.

 

O SAE 1045 pode substituir o SAE 4140?

Em peças de seção pequena (até 50–60mm) e carga moderada, pode — com alguma perda de desempenho. Para seções maiores ou aplicações críticas, não. O SAE 4140 tem temperabilidade muito superior e mantém propriedades mecânicas uniformes em toda a seção. Usar 1045 no lugar de 4140 em aplicações críticas é risco calculado com consequências conhecidas.

 

O SAE 1045 está disponível em quais formatos?

Na São Joaquim Laminação, o SAE 1045 é fornecido em barras redondas, quadradas, sextavadas, chatas e perfis especiais, laminados ou com serviços adicionais de corte, furação, chanfragem e têmpera por indução. Consulte nosso time comercial para disponibilidade de medidas e prazos.

 

Qual a norma de referência para o SAE 1045?

SAE J1397 (americana), equivalente à ABNT NBR 6158 (brasileira) e DIN EN 10083 / C45 (europeia). A São Joaquim Laminação fornece o material com rastreabilidade e laudos de ensaio conforme especificado.

 

 

SAE 1045 da São Joaquim Laminação

Com mais de 50 anos no fornecimento de aços especiais para a indústria brasileira, a São Joaquim Laminação é certificada ISO 9001:2015. Além da barra laminada, oferecemos serviços de corte sob medida, chanfragem, furação e têmpera por indução — reduzindo etapas no seu processo produtivo.

Você pode consultar o catálogo completo com toda a nossa linha de aços e soluções para conhecer outras especificações e aplicações atendidas.

Precisa de orçamento, ficha técnica ou assessoria sobre qual aço usar? Fale com nosso time comercial.

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