Aço SAE 5160: o aço de mola e lâmina de corte
11 de Março de 2026

A maioria dos aços tem uma vocação. O SAE 5160 tem duas — e executa as duas com excelência.
No catálogo técnico da São Joaquim Laminação, ele aparece classificado tanto como aço para mola quanto como aço para lâmina de corte. Essa dupla é consequência direta da combinação única entre alto teor de carbono, cromo e a capacidade de desenvolver altíssima resistência à fadiga após tratamento térmico.
Molas de suspensão de caminhão que absorvem toneladas de impacto a cada quilômetro. Lâminas de corte para a base de cana-de-açúcar que precisam manter o fio sob desgaste intenso. Eixos automotivos sujeitos a ciclos repetidos de torção. Aplicações distintas, mesmo material; porque o SAE 5160 foi desenvolvido para suportar justamente isso: carga cíclica, fadiga e desgaste.
O SAE 5160 é um aço ligado ao cromo de alto carbono, pertencente à família 51XX da classificação SAE/AISI. A referência interna da São Joaquim Laminação é VR 60.
O código revela a composição: “51” = família dos aços ao cromo (51XX); “60” = teor de carbono aproximado de 0,60%. Com 0,58–0,65% de carbono e adição de cromo (0,70–0,90%), o SAE 5160 é um aço de alto carbono com temperabilidade elevada — diferentemente do SAE 1045 ou mesmo do 4140, cuja vocação é resistência estrutural estática.
A diferença fundamental: o SAE 5160 foi otimizado para resistência à fadiga, ou seja, para suportar ciclos repetidos de carga e descarga sem falha. Enquanto o 4140 resiste a alta carga pontual, o 5160 resiste a alta carga cíclica. São problemas de engenharia diferentes com soluções de material diferentes.
|
Regra de ouro: sempre que a peça se dobra, vibra, comprime e retorna repetidamente, o SAE 5160 é o candidato certo. Molas, lâminas, barras de torção, elementos com deformação elástica repetida. |
A tabela abaixo apresenta a composição química do SAE 5160 conforme SAE J1397 — norma de referência adotada pela São Joaquim Laminação (referência VR 60).
Elementos base:
|
Elemento |
C |
Mn |
Si |
P (máx.) |
S (máx.) |
|
Teor (%) |
0,58–0,65 |
0,75–1,00 |
0,15–0,35 |
0,030 |
0,040 |
Elemento de liga:
|
Elemento |
Cr |
|
Teor (%) |
0,70–0,90 |
▲ Referência: SAE J1397. Dureza de fornecimento SJL: 285 HB máx. Têmpera em óleo.
Alto carbono (C 0,58–0,65%): confere alta resistência mecânica e dureza após têmpera. Imprescindível para molas que precisam acumular energia elástica sem deformação permanente e para lâminas que precisam manter o fio de corte.
Cromo (Cr 0,70–0,90%): aumenta a temperabilidade, permitindo que o endurecimento penetre uniformemente na seção, mesmo em barras de maior espessura usadas em feixes de mola. Também melhora a resistência ao desgaste, o que é diretamente relevante para lâminas de corte.
A combinação é precisa: carbono suficiente para resistência, cromo suficiente para temperabilidade, sem excessos que comprometeriam a ductilidade necessária para absorver impacto sem fratura.
As propriedades do SAE 5160 variam conforme o tratamento térmico. A tabela mostra os valores típicos nas condições mais comuns:
|
Condição |
Res. Tração (MPa) |
Escoamento (MPa) |
Alongamento (%) |
Dureza (HB) |
|
Laminado / Fornecimento |
~900–1050 |
~580 |
~15 |
≤285 HB |
|
Normalizado |
~1050 |
~720 |
~13 |
~302 |
|
Temp. + Rev. (médio, 450 °C) |
~1380 |
~1275 |
~10 |
~400 |
|
Temp. + Rev. (alto, 600°C) |
~1100 |
~980 |
~14 |
~320 |
▲ Valores típicos. Para molas, o revenimento entre 400–480°C é o mais comum, equilibrando resistência e tenacidade. Para lâminas de corte, o revenimento é mais baixo (180–250 °C) para preservar a dureza superficial.
O limite de resistência à fadiga do SAE 5160 temperado e revenido típico é da ordem de 700–800 MPa — significativamente superior ao SAE 1045 na mesma condição. Para molas submetidas a milhões de ciclos de carga ao longo da vida útil do veículo, essa diferença não é marginal: é a diferença entre uma mola que dura e uma que quebra.
O ciclo de tratamento térmico do SAE 5160 é ajustado conforme a aplicação final — mola ou lâmina. A temperatura de revenimento é o parâmetro crítico:
|
Tratamento |
Temperatura |
Meio |
Objetivo |
|
Recozimento |
800–850°C |
Forno (lento) |
Reduzir dureza para usinagem e conformação da mola |
|
Normalização |
870–915°C |
Ar |
Homogeneizar estrutura antes do tratamento final |
|
Têmpera |
830–855°C |
Óleo |
Atingir alta dureza e resistência à fadiga |
|
Revenimento para mola |
420–480°C |
Ar |
Equilibrar resistência mecânica e tenacidade; eliminar tensões de têmpera |
|
Revenimento para lâmina |
180–250°C |
Ar |
Manter alta dureza superficial para resistência ao corte |
|
Jateamento (shot peening) |
Temperatura ambiente |
— |
Induzir tensões compressivas na superfície, aumentando vida em fadiga da mola |
* Shot peening (jateamento): processo mecânico que aumenta a vida em fadiga de molas entre 20% e 50%, induzindo tensões compressivas na superfície que retardam a propagação de trincas.
Para molas de suspensão, o revenimento entre 420–480°C equilibra resistência elástica (capacidade de retornar à forma original) com tenacidade (resistência à fratura por impacto). Um revenimento muito baixo deixa a mola dura demais — fratura com impacto brusco. Um revenimento muito alto deixa a mola mole demais — deforma permanentemente sob carga.
Para lâminas de corte, a lógica se inverte: quanto mais dura a lâmina, mais tempo ela mantém o fio. O revenimento é feito a temperaturas menores, preservando a dureza superficial ao custo de alguma tenacidade — aceitável quando o modo de falha esperado é desgaste, não fratura por impacto.
O SAE 5160 é o material de referência para feixes de mola de veículos pesados — caminhões, ônibus, implementos agrícolas, tratores. Nessas aplicações, a mola é uma lâmina plana ou semielíptica que flexiona repetidamente com cada irregularidade do terreno.
As exigências são: alta resistência elástica (a mola não pode “ceder” permanentemente), alta resistência à fadiga (suportar milhões de ciclos) e boa tenacidade (não fraturar com impacto pontual). O SAE 5160 atende os três critérios — o que explica sua dominância nesse segmento há décadas.
O alto carbono e o cromo fazem do SAE 5160 um aço capaz de atingir dureza de 55–60 HRC após têmpera — suficiente para aplicações de corte industrial que exigem resistência ao desgaste combinada com tenacidade para suportar impacto.
Diferentemente de aços-ferramenta de alto carbono e alto cromo (como o D2), o SAE 5160 não é indicado para ferramentas de usinagem de precisão. Sua vocação é o corte com impacto — lâminas que golpeiam repetidamente um material resistente e precisam manter o gume sem fraturar.
|
O SAE 5160 está no catálogo SJL classificado simultaneamente como ‘aço para mola’ e ‘aço para lâmina de corte’ — o único material do portfólio com essa dupla classificação. Não é coincidência: ambas as aplicações exigem o mesmo conjunto de propriedades. |
Porque foi desenvolvido especificamente para aplicações que exigem deformação elástica repetida sem falha — a função essencial de uma mola. O alto teor de carbono garante o limite elástico elevado (a mola retorna à forma original), e o cromo garante a temperabilidade para que esse comportamento seja uniforme em toda a espessura da lâmina.
Tecnicamente, sim — suas propriedades são adequadas para facas de uso geral e ferramentas de corte com impacto. Para facas que precisam de resistência à corrosão (uso culinário ou ambiente úmido), aços inoxidáveis são mais indicados. O SAE 5160 não tem resistência à corrosão significativa e requer tratamento de superfície ou cuidados de uso.
Recém-temperado (sem revenimento), o SAE 5160 pode atingir aproximadamente 62–64 HRC. Na prática, o revenimento é sempre aplicado: para molas, o revenimento resulta em 42–52 HRC. Para lâminas de corte industrial, entre 54–60 HRC, dependendo da temperatura de revenimento escolhida.
Não há um equivalente DIN exato e direto. O SAE 5160 é mais próximo do EN 60Cr3 (norma europeia) ou do DIN 60Cr3. Para projetos com requisitos normativos europeus, confirme com o time técnico da SJL qual norma de ensaio e certificação é necessária.
Em aplicações de mola de carga estática ou quase estática (feixes de mola de veículos pesados), sim — com desempenho equivalente ou superior. Para molas com alta frequência de ciclo ou molas de precisão, o SAE 6150 (com vanádio) geralmente tem melhor desempenho em fadiga dinâmica. A escolha deve considerar a natureza do ciclo de carga, não apenas a resistência máxima.
Na São Joaquim Laminação, o SAE 5160 é fornecido em barras redondas, chatas e perfis especiais — formatos compatíveis com a produção de feixes de mola e lâminas de corte. Consulte o time comercial para bitolas e prazos.
A São Joaquim Laminação fornece SAE 5160 para fabricantes de molas, implementos agrícolas, equipamentos rodoviários e aplicações de corte industrial que exigem alta resistência à fadiga com confiabilidade de lote.
Com mais de 50 anos de experiência em aços especiais e certificação ISO 9001:2015, garantimos rastreabilidade completa, laudos de ensaio e suporte técnico para a correta especificação do material.
Para conhecer toda a linha de aços disponíveis, dimensões e aplicações atendidas, acesse nosso catálogo completo.
Se precisar de orçamento, ficha técnica detalhada ou orientação para definir o aço ideal para o seu projeto, entre em contato com o time comercial da São Joaquim Laminação.
SIDERÚRGICA SÃO JOAQUIM S/A.
Via Anhanguera Km 383,5 – São Joaquim da Barra – SP CP: 176 | CEP 14.600-000
+55 (16) 3810-1444